O Solmar foi a superfície onde se encontraram mais preços colocados erroneamente, promoções fora do seu local ou ausência de afixação de preços, o que poderá induzir em erro.
Por vezes as prateleiras das superfícies comerciais não apresentam os preços correctos e/ou actualizados, o que dificulta uma escolha consciente por parte dos consumidores.

Preços mal afixados baralham consumidor

Um dos pressupostos básicos, contemplados na lei portuguesa, é o da afixação dos preços que, na venda a retalho, é obrigatória, para que os consumidores possam fazer as suas escolhas conscientemente. Nas superfícies visitadas pelo Expresso das nove, foram verificadas algumas irregularidades ao cumprimento desta obrigatoriedade. Assim, o Solmar foi a superfície onde se encontraram mais preços colocados erroneamente, promoções fora do seu local ou ausência de afixação de preços, o que poderá induzir o consumidor em erro. Outra das anomalias detectadas foi, por exemplo, na secção das águas engarrafadas, na qual não estavam patentes todos os preços de todas as marcas à venda. Em seguida, nas superfícies Manteiga e Casa Cheia, foram também verificadas algumas anomalias, mas em menor número. Nestas superfícies, mais pequenas em área, o facto de vários produtos se encontrarem muito concentrados numa prateleira, poderá induzir o cliente em erro, já que os preços estão muito próximos uns dos outros. No Modelo, verificou-se que a afixação de preços apresenta poucas falhas, estando os produtos em ruptura de stock sinalizados com a vinheta "artigo temporariamente indisponível".

Refira-se que a afixação dos preços à vista do consumidor é obrigatória em todos os locais de venda a retalho, mesmo que os produtos apresentem código de barras. Os preços devem constar de letreiros, etiquetas ou listas. Os preços dos produtos vendidos a peso ou por unidade de medida devem ser indicados por quilograma, litro, ou por qualquer outra unidade. Na venda de produtos conjuntos (caso dos packs), além da indicação do preço total, deve também constar o custo unitário, se for possível a sua compra isolada.

Nos pedidos de esclarecimento aos funcionários, contudo, são as superfícies mais pequenas que mostram melhor desempenho. Assim, tanto no supermercado Manteiga, como na Casa Cheia, foi mais fácil atrair a atenção de um funcionário, para pedir informações/esclarecimentos acerca de determinado produto. Já no Solmar e no Modelo, esta tarefa demonstrou ser mais difícil. Mesmo depois de conseguir falar com um funcionário, a resposta mais usual é a de que é necessário "dirigirmo-nos a um colega da secção em causa".

Na hora de pagar, não detectámos diferenças no atendimento, tendo todas as superfícies apresentado funcionários simpáticos e eficientes, embora haja por vezes alguma acumulação de filas, por manifesta insuficiência de caixas abertas. Deve referir-se que o Modelo e o Solmar já dispõem de caixas "faça você mesmo", o que permite que seja o próprio cliente a registar as suas compras. Esta opção é particularmente útil para os clientes que estejam a comprar um reduzido número de unidades, que vêem assim reduzido o seu tempo de espera, na linha de caixas.

Associações pretendem legislar a actividade

De entre as superfícies que a reportagem do expressodasnove.pt visitou, verificou-se que os estabelecimentos de dimensão mais pequena acabam por ter menos variedade de produtos e por isso, menos marcas brancas ou marcas próprias. Esse foi um dos principais factores que fez subir a conta final da nossa lista de compras. Por outro lado, verifica-se também que, nas superfícies mais pequenas ou familiares, são vendidas doses ou embalagens mais pequenas, o que acaba por encarecer os produtos.

Um dos exemplos claros disto é o queijo fatiado, que na Casa Cheia ou nos supermercados Manteiga, é vendido já embalado de fábrica, tornando o produto bastante mais caro do que no Modelo ou no Solmar, onde o mesmo produto é vendido ao peso, consoante a escolha do cliente. Isso permite também que o cliente escolha a quantidade que mais se lhe adequa, poupando dinheiro ao mesmo tempo.

TIAGO MATIAS
tasmatias@hotmail.com


Expresso das Nove
Publicado na edição de Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010
http://www.expressodasnove.pt/interiores.php?id=4360